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CASA DE PEDRA

Localizada nos Campos da Bocaina no Município de São José do Barreiro a 28 km de sua sede a Villa Sinhazinha , ou Casa de Pedra como atualmente é conhecida , foi construída pelo Dr. Lassance , médico residente do Rio de Janeiro , no início do século XX tendo seu apogeu em 1914.

Consta que o Dr. Francisco Chaves de Oliveira Botelho , Ministro da Fazenda e dono da Fazenda Pinheirinho , cedeu a seu médico , Dr. Lassance, um local para este construir uma residência de veraneio para sua família.

Uma vez pronta e decorada com os mais ricos requintes importados , a casa não ficou muito do agrado de sua esposa que não se interessou pela patrimônio.

O abandono e o vandalismo foram destruindo o belo prédio, até que em 1971 o Sr. Josias de Marins Freire , então Prefeito Municipal, sugeriu ao governo Paulista sob a aprovação do Secretário de Turismo Dr. Orlando Zancaner, a restauração do prédio com a finalidade de transformar o local num importante pólo turístico.

Infelizmente , isso não foi possível pois o Governo Federal avocou sua propriedade no imóvel não aceitando qualquer intervenção e não cuidando de sua restauração.

Atualmente , a Casa de Pedra está em ruínas , sendo hoje , apenas uma lembrança dos auros tempos da Bocaina.

VISITA IMPERIAL

" D. Pedro I, em sua longa viagem que antecedeu a independência, cavalgou pêlos caminhos do interior, chegando em 17 de agosto à Fazenda Pau D’Alho.

Contam que os mais belos ginetes destas plagas eram postos à disposição de sua Majestade D. Pedro.

Os seus vassalos, os seus cortesões, a aristocrática sociedade daqueles tempos idos, procuraram pôr todos os meios, amenizar ao Imperador as asperezas da longa caminhada.

Já a luzida caravana atravessava as terras de São José do Barreiro quando o Imperador, gastrônomo como seu ancestral, já sentia seu estômago à fazer suas reclamações.

Um lauto banquete o esperava na Fazenda Pau D’alho, propriedade do Sargento Mór João Ferreira de Souza, este em companhia de Sua Majestade. Antes que esta chegasse, procurava a esposa do anfitrião, D. Maria Rosa de Jesus, preparar os últimos detalhes com a pompa que a nobre visita requeria quando, antecipando-se à Caravana, chega um de seus membros e pede a ilustre Dama que se compadeça de seu estômago exigente, dando-lhe alguma cousa para comer, antes que chegasse a caravana.

A um canto da grande sala do banquete, numa mesinha singela, é atendido o caravaneiro que, com humor, alegre e feliz, aguarda a chegada dos companheiros.

De repente, chega apressado o Sargento Mór e apresenta o Monarca à sua esposa; aquele mesmo que se antecipara aos demais."

Centenário de São José do Barreiro

Reynaldo de Maia Souto - 1959

CEMITÉRIO DOS ESCRAVOS

O Cemitério dos Escravos, verdadeira obra de arte do século passado, foi tombado pela Secretaria de Estado da Cultura através do CONDEPHAAT em 14 de julho de 1989 tornando-se, desta forma, um patrimônio histórico.

O Cemitério Velho foi construído em 1860 pela quantia de quatro contos e quinhentos mil réis e abriga em seus túmulos os "Coronéis" do Período áureo do Café. Quase todos os túmulos tinham figuras lapidadas em mármore trazidos de Carrara e os brasões em bronze revelavam a importância das famílias de barões, condes e viscondes; títulos recebidos da corte do Rio de Janeiro.

Tudo em mármore, anjos, estátuas e cruzes eram enfeitadas pôr gravuras de artistas desconhecidos, vindos da Europa para o Vale do Paraíba, atrás do dinheiro dos ricos fazendeiros da região.

O Cemitério dos Escravos ou Cemitério Velho, que só abrigou senhores importantes, leva este nome porque foi inteiramente construído pôr escravos e pôr atualmente possuir um túmulo com os restos mortais dos últimos escravos de São José do Barreiro. Murado de pedras toscas de três metros de altura e um e meio de largura, o cemitério se localiza no alto de um morro, onde se avista toda a cidade. Para chegar até ele é preciso subir 45 degraus de uma escadaria de pedra bruta e transpor o pesado portão de ferro fundido.

O Cemitério dos escravos foi usado até o início deste século, quando foi interditado pôr se encontrar em um local mais elevado que a cidade.

Na revolução de 32 as tropas Paulistas enfrentaram nas terras de São José do Barreiro, os inimigos vindos do Rio de Janeiro e, como o Cemitério se encontra no alto, acima da cidade, nele foi montada a artilharia Paulista e, consequentemente, para o cemitério foi centrado todo o fogo inimigo. Se não bastasse, o "Vermelhinho", um pequeno avião inimigo, também despejou suas inúmeras granadas sobre o Cemitério dos escravos na tentativa de destruir a artilharia Paulista.

Desta forma, os requintados túmulos foram aos poucos destruídos e o Cemitério dos Escravos ficou totalmente em ruínas; estado que se encontra até hoje, na longa espera pôr recursos do CONDEPHAAT e Governo do Estado para que seja restaurado e, desta forma, recupere uma parte de seu requinte perdido no tempo.

Centenário de São José do Barreiro

Reynaldo de Maia Souto - 1959

Jornal Valeparaibano 02/08/89

Pesquisa: Departamento Municipal de Turismo - 1998

MW Trekking Viagens e Turismo.

IÇÁ - UM SANTO REMÉDIO

Contavam os antigos de Formoso que a formiga saúva era uma grande praga que destruía as plantações da região.

Um fazendeiro muito esperto e, cujo nome o tempo levou, espalhou a notícia que a içá, a rainha do formigueiro que bota os ovinhos, era um grande remédio e que seu abdome cru ou assado, era também um poderoso estimulante sexual.

Sabendo disso, empregados e escravos "caçaram" içá aos montes para comer, ajudando desta forma, o controle da praga.

Não se sabe se o abdome do içá tem essas propriedades, mas até hoje nos dias que "cai" içá, muita gente ainda "caça içá" para comer.

FANTASMA DA FAZENDA SÃO FRANCISCO

Espirituoso, simpático e comunicativo o Sr. Walton Ferreira, ou "Careca" como é conhecido na região, é o proprietário da Fazenda São Francisco, e conta como foi a visita do fantasma da Fazenda São Francisco.

_ "Eu estava deitado quando ouvi a porta ranger. Como eu estava só, estranhei. Quando olhei para a porta, lá estava ele: alto, moreno, os olhos fixos em min. Foi logo se apresentando: fui dono da São Francisco e os meus irmãos foram donos da São Miguel, Pau D’Alho e Capitólio! Me falou da história da cidade se referindo a ela como Vila de São José. Dito isso saiu do quarto, eu corri para a sala e não havia ninguém. No dia seguinte fui confirmar no cartório...fui visitado pelo Antonio Ferreira de Souza, falecido em 1883...O irmão, Comendador Luiz Ferreira de Souza Leal, fundou a fazenda São Miguel, o coronel João Ferreira de Souza foi dono da Pau D’Alho e Joaquim Ferreira de Souza da fazenda Capitólio. Acredite se quiser...".

LENDA DO "VOMEMBORA", NOME DE UM DOS BAIRROS DO MUNICÍPIO

Conta-se que há muitos e muitos anos, mais de duzentos anos, nem existiam São José do Barreiro e Alambary, hoje Arapeí, de tempos em tempos, apareciam caçadores, vindo dos centros de Minas, com grandes comitivas e aparato, embrenhando-se pelos sertões, onde permaneciam meses.

Certa ocasião, chegou uma caravana numerosa, e como eram muitos os caçadores, se dividiram e se separaram. Uns, foram para os Sertões da Memória, Altos da Serra do Mar, outros ficaram nas cabeceiras da Serra da Bocaina, na parte que verte para Arapeí, Sertão bruto, e mesmo hoje naquelas vizinhanças, ainda podemos ver remanescentes das matas virgens de outrora.

Era época de muito frio, Junho já em meio.

Durante o dia saíram pelos matos com seus cães e buzinas, e à noite, após "a janta", contava proezas junto ao fogo, engendrando caçadas para o dia seguinte. Um preto, um tanto idoso, camarada e companheiro, guarda e vigia da pousada, tendo se queixado de frio na noite anterior, o chefe da turma ordenou, que trouxessem um couro de boi, mandou que o couro fosse estendido, no chão e disse ao preto: deite-se no couro, pretão... O pretão obedeceu e deitou-se. Trouxeram alças e amarraram o couro. O preto, dentro do couro e ao lado do fogo, ficou bem agasalhado.

Como já era tarde, o chefe dos caçadores falou aos companheiros: vamos dormir, e virando-se para o preto disse: e Você pretão, esta noite vai dormir bem! Eu até tenho inveja de Você...

Lá pelas tantas, quando todos dormiam pesadamente e o fogo já se apagara, entrou no rancho uma enorme onça têm preferência por pretos, pelo agradável odor, que para elas desprendem os pretos, num salto arrebatou o pretão com couro e tudo saindo às pressas. Os cachorros amedrontados e assombrados, não deram um ganido.

À entrada do mato, o preto tendo acordado, reconhecendo a situação, principiou a gritar: "me acudam, eu "vomembora" - ai, eu vomembora, eu vomembora" e o eco espantoso dos gritos, foi se perdendo mato a dentro.

Os caçadores tendo acordado, sonolentos e desorientados, pressentiram logo o que acontecera. Apavorados deram início às arrumações de partida, atrelaram os cães e antes do dia amanhecer, deixaram o rancho fatídico, saindo em direção a Minas mais voltaram...Em noites escuras e chuvosas os moradores daqueles lugares soturnos, é o que dizem, ouvem ainda os gritos do preto: ai eu vomembora, eu vomembora...E aquele alto da "Cavalhada" até os dias de hoje tem o nome de "vomembora".

TRADIÇÃO

É costume antigo na cidade de, quando chegar um visitante em casa, o dono oferecer água pois, segundo a tradição, todos que tomarem água de Barreiro sempre voltam.

MANGA COM LEITE FAZ MAL

Pelas bandas do Carrapato um fazendeiro antigo estava preocupado com o consumo de leite em sua fazenda que crescia muito, prejudicando as suas econômias.

Depois de muito pensar, espalhou pela região o boato que se alguém tomar leite e chupar manga pode ficar mal e até morrer.

Como a manga é uma fruta que de vez em quando da frutos até três vezes ao ano e, por ser muito apreciada e saborosa é bastante consumida, o fazendeiro conseguiu finalmente, diminuir o consumo de leite em sua fazenda.

LENDA DO "EU SOU DOCEIS"

Na época da revolução de 32 morava próximo ao Barreiro, um caipira desconfiado e muito honesto e também verdadeiro, não mentia nunca. Quando uma manhã ele defrontou com as tropas cariocas em sua porta, foi indagado pelo oficial - "Você é paulista ou carioca? " Ele responde com altivez, - "Sou Paulista". Desceram o pau nele que quase o matam. Passada mais algumas semanas, outro pelotão chega a sua porta e faz a mesma pergunta, agora eram paulistas. - "Ele pensou um pouco e respondeu. - "Sou carioca". Apanhou de novo sem consideração pela sua idade. Machucado, Indignado por ter levado duas surras, ficou pensando como sair de uma nova indagação. Não demorou muito. Quando em uma tarde um destacamento de soldados baianos que lutavam contra São Paulo ao passar, levantaram o pobre velho pelo colarinho e perguntaram: - "De que lado você é ?" Ele então, não pensou duas vezes e respondeu... - "EU SOU DOCEIS..."

EXCURSÃO A BOCAINA

Em 1927, o negociante Agostinho da Costa e o prefeito Reynaldo Maia Souto, idealizaram uma excursão automobilística aos Campos da Bocaina e numa manhã suave e vivificante de 26 de agosto, uma grande caravana se movimentou para a esplendida aventura.

Foi mesmo uma aventura, galgar os cimos abruptos da bela cordilheira, sem estradas e sem pontes. Como chofer de uma nova Chevrolet, levávamos o Cardozo que era também um hábil mecânico. Até a fazenda São Miguel, tudo foi bem, mas, ao iniciarmos a subida da serra e ao atravessarmos a água que passa para a fazenda, a estiva cedeu e o caminhão atolou...o número de excursionistas, assas numerosos e ao mesmo tempo disposto, agindo com energia e força inicia a grande tarefa de vencer os obstáculos...uma grande corda é amarrada ao caminhão e a multidão se agarra a ela...era pouca corda, para tão grande força, que não agüentando arrebentou espalhafatosamente atirando todos ao chão as cambalhotas...e foi nesse ambiente de hilaridade que a caravana subiu as escarpas da serra, já sem o caminhão. A Chevrolet iria de qualquer jeito e ao descer do crepúsculo, nos acampamos na Cocheira Perigosa. O prefeito estava no seu dia de enxaqueca e assim passara a noite recostado nas almofadas do carro. Pela madrugada ainda escura, se ouvia um grande rumor na Cachoeira...de dentro do carro, o holofote foi iluminar em cheio a maravilhosa queda...já estava o Leovigildo da Silva Reis a se banhar alegremente...uma gargalhada geral quebrou a quietude da floresta. Ao romper da aurora, e ao perfume da folhagem densa a caravana reinicia a escalada, ao dorso hostil da serrania e de enxadões - picaretas e foices, la foi a turma em busca dos alcantis para levar pela vez primeira aos Campos Virgens da Bocaina, um auto-motor-mensageiro do conforto e do progresso. Chapas e mais chapas foram batidas da estupenda aventura mais que se perderam depois. Após dois dias de difícil escalada pela velha estrada de tropas, quase inacessível, a várzea da Floresta no Lajeado, recebe já em noite escura, os reflexos do primeiro carro que ali chegava como prenuncio de novos dias para aquela região, até então deserta e abandonada, com o seu clima de pioneira. O Lajeado recebeu a Chevrolet com indiferentismo, mas o seu jeito ficará gravado na história de Barreiro...é que chegava o intruso de aço e de buzinas, para quebrar a sua vida bucólica de mato e céu...o assustador dos passarinhos...no outro dia ao brilho da Estrela Dálva, retornávamos a viagem de retorno, deixando o Lajeado a sonhar...e pela estrada colhíamos flores para oferta-las a população que lá embaixo na cidade humilde, nos esperava com festa. Em poucas horas estávamos no seio carinhoso de nossa terra e de nossa gente. O carro nada sofreu.

FAZENDA DA BARRA

Localizada na Estrada do Cachoeirão a 6km do bairro do Formoso, a Fazenda da Barra foi construída pelo Tenente Francisco Alvares de Magalhães no século XIX a Fazenda da Barra foi uma das mais importantes no Vale do Formoso, durante o Ciclo Cafeeiro do Vale do Paraíba.

Centenário de São José do Barreiro - Reynaldo de Maia Souto - 1959

Pesquisa e Montagem: MW Trekking Viagens e Turismo.

CONDE D’EU

1884. Na corte, um movimento ativo denunciava claramente preparativos de viagem, ginetes fortes e nedios; arreios e alforges; esporas e botas e capas e a caravana partiu cortando as terras, atravessando montes e valados, sorvendo a poeira fina das estradas, deixando para trás serras e savanas, para galgar de novo serras e montes; ia Sua Alteza Imperial receber as terras que o Comendador Luiz Ferreira de Souza Leal lhe havia dado, nos Campos da Bocaina e receber também do ilustre doador, a hospitalidade aristocrática que ele tinha direito. As pratarias e os cristais de Sevres; os candelabros e os reposteiros; as cortinas de seda e o grande reboliço na fazenda São Miguel, demonstravam a grandiosidade da hospedagem e deu seu augusto hospede. Relinchavam os ginetes pela estrada a fora e a

luzida caravana nem percebia o perpassar das horas e das léguas...no meio da poeirenta estrada surge um vulto de guerreiro que a passagem de Sua Alteza lhe apresenta as continencias...O príncipe para o seu corcel e interroga o indivíduo: este diz que as suas ordens combateu nos Campos de Peruibe...O Conde desce do cavalo e abraça comovidamente o seu soldado, o Manoel Passarinho.

Nos Campos da Bocaina, Sua Alteza sentiu-se maravilhado com a beleza da região e sorveu contente alguns tragos da sua água, a Água do Príncipe.

VISITA PRESIDENCIAL

Assumindo as rédeas do governo em 1910, o Marechal Hermes, os seus correligionários e amigos de Barreiro o convidaram para umas caçadas de veado nos Campos da Bocaina; aquiescendo ao agradável convite, o Marechal aqui chegou em trem especial da Resende à Bocaina.

Com o Presidente vieram: o General Percílio da Fonseca, Ministros - Dr. Oliveira Botelho, etc, etc.

Teve nesta cidade apoteótica recepção, encaminhando-se todos para a residência do Dr. Olympio Alvares de Magalhães, Presidente da Câmara, onde aguardaram a cavalhada para a subida da serra. No Lajeado, estava tudo pronto para receber tão ilustres hospedes, não faltando para maior brilho da festa , uma gostosa matilha de veadeiros. O anfitrião Coronel João Antonio Ayroza, não poupou esforços para que tudo corresse bem . O celebre e estimado cabloco sertanejo Cezário, entrou logo na intimidade do Marechal e o deliciava por horas esquecidas , com as suas histórias de caçadas. Todos os dias lá estava o Cezário com o seu amigo e quando não o via, perguntava: onde está aquele macete? Quando os dois se despediram, o Cezário chorou. O Marechal o convidou para conhecer o Catete e coisa interessante: um dia o velho cabloco vai ao Catete e pergunta: onde estás aquele macete? Diziam que o encontro quebrou todas as etiquetas...o Presidente pos um chofer com um belo carro a disposição do Cezário para que este ficasse conhecendo a Capital da República, e depois de passar alguns dias com o amigo, disse-lhe: me dê a espingarda que você me prometeu, que eu já vou embora para a Bocaina.

Centenário de São José do Barreiro - Reynaldo de Maia Souto - 1959

Jornal O Barreirense - Depoimentos de Barreirenses

Pesquisa e Montagem: MW Trekking Viagens e Turismo.

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